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08/03/2018 14:00:32

Estrelas do esporte: Mariana Brochado inaugura espaço no site da CBDA


Ex-nadadora estreia quadro do site da CBDA

Foto: CBDA/Divulgação Estrelas do esporte: Mariana Brochado inaugura espaço no site da CBDA
08/03/2018 14:00:32

(Rio de Janeiro, 8 de março de 2018) O esporte brasileiro é recheado de boas histórias. Por vezes, essas histórias ficam escondidas e poucas pessoas descobrem e passam a conhecer como aquele atleta se tornou ídolo para outras, como foram seus dias de esforço e suor para chegar aonde poucas chegam.  Por isso, a partir de março de 2018, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos inaugura o espaço Estrelas do Esporte.

Para estrear em grande estilo, a primeira entrevistada é a ex-nadadora Mariana Brochado, que brilhou nas piscinas e, mais recentemente, no canal de esportes Sportv.

Ela contou ao site da CBDA um pouco da sua história. Veja os principais pontos:

- Como a maioria dos atletas, você começou a nadar muito cedo. O que você lembra dos seus primeiros momentos na água?

Eu sempre gostei de ficar horas e horas dentro de uma piscina. Sempre era um parto me tirar de dentro d´agua, quando íamos ao clube. Aos 4 anos, meus pais me colocaram na natação para aprender a nadar e sabiam que não seria nada difícil de me convencerem a fazer esse esporte pela relação que sempre tive com a água. Aprendi a dar minhas primeiras braçadas no Flamengo, onde fiz toda minha carreira como atleta no clube por 20 anos. Lembro de sair da piscina menor, ir para outra maior e sempre admirando a piscina olímpica onde os atletas profissionais do clube treinavam. Meu pai sempre me incentivou demais no esporte, acho que era o sonho dele ver eu ou meu irmão se tornando um atleta profissional e minha mãe sempre cuidou de tudo, dos mínimos detalhes de alimentação, deslocamentos, horários. O que era uma diversão no inicio, foi se tornando cada vez mais importante e sério ao longo dos anos.

- Quando você começou a descobrir que aquelas aulas de natação se tornariam algo mais sério e você viraria atleta profissional?

Nunca fui das melhores até uns 13, 14 anos e isso começou a me desmotivar um pouco. Pensei em parar de nadar. Conversei com meus pais na época e com o meu treinador Ricardo Trovão, e foi ele quem me convenceu a continuar nadando. Disse que eu tinha talento, era comprometida e que os resultados viriam, que cada um tinha o seu tempo e que o meu chegaria. Ele me convenceu e, dali para frente, fui melhorando. Comecei a ser uma das melhores do Estado do Rio, depois comecei a ganhar umas medalhas em Campeonatos Brasileiros de categoria até ganhar meu primeiro título nacional absoluto com 17 anos. E ai as coisas foram acontecendo bem rápido: Primeira seleção brasileira absoluta, primeiro Pan-Americano, Mundial, Olimpíada. Fui realizando os sonhos daquela menina que queria nadar na piscina olímpica.

- Quais competições e resultados que jamais sairão da sua memória?

O Pan-Pacifico em Yokohama, no Japão, em 2002, quando quebrei o recorde sul-americano nos 200m livre pela primeira vez e fiz o índice para os Jogos Pan-Americanos do ano seguinte. O Pan de Santo Domingo, em 2003, quando fui prata no 4x200m livre e bronze nos 200m livre. O Mundial de Barcelona em 2003, quando cheguei à semifinal dos 200m livre e conseguimos classificar o 4x200m livre para os Jogos Olímpicos de Atenas. E, claro, a Olimpíada de 2004 quando chegamos à final no 4x200m livre, batendo o recorde sul-americano tanto nas eliminatórias quanto na final e terminando na 7a colocação.

- O que você guarda na memória dos momentos em que era atleta?

Principalmente as viagens com meus companheiros de seleção e de clube. O clima era sempre tão bom, tantas risadas, tantas historias e todos com o mesmo objetivo, de serem mais rápidos, de se superarem. Aquele frio na barriga antes da prova, tantas coisas que ficam passando pela cabeça, os questionamentos, a confiança, mas certa insegurança às vezes também. É um privilegio e uma sorte muito grande você se tornar um atleta profissional e viver disso por tantos anos. É uma vida de muitos sacrifícios, escolhas, determinação e comprometimento, mas que vale muito a pena. Por isso que sempre digo para meus amigos de esporte: vivam disso até o corpo e a mente não conseguirem mais, porque, sem duvida, é a melhor época de nossas vidas.

- Imagino que você tenha várias recordações das competições que participou, mas tem alguma em especial?

Tenho uma em especial - a primeira nos Jogos Olímpicos de Atenas. Minha preparação para a competição da minha vida foi impecável, estava treinando como nunca, fiz treinos e tempos durante um treinamento em altitude que deixou os técnicos de boca aberta e tinha certeza que estava preparada pra fazer o meu melhor tempo da vida nos 200m livre na Grécia. Mas não saiu do jeito que eu queria. Acabou que nadei 1 segundo acima do meu melhor e não consegui passar pra semi. Aquele dia me abalou demais. Não foi nervosismo nem nada, apenas não consegui colocar em prática tudo o que tinha treinado até ali. Foi decepcionante, mas tive que dar a volta por cima, porque dois ou três dias depois teríamos o 4x200m livre pela frente, sabíamos que teríamos chances de chegar à final e minhas companheiras precisavam de mim. Mudamos a ordem que tínhamos treinado no revezamento. Eu abriria, depois Monique Ferreira, Joanna Maranhão e Paula Baracho, mas como a Joanna estava fazendo uma competição impecável colocamos ela pra abrir e eu fui pra terceiro. Deu super certo, todas nadamos bem, realizamos nosso sonho juntas e fizemos historia. E essa superação pessoal me fez sair me sentindo um pouco melhor dos Jogos.

- Como surgiu a oportunidade de virar comentarista de natação no Sportv? Foi por acaso ou você já desejava isso?

Foi totalmente por acaso. Quando parei de nadar, no final de 2008, o Sportv estava começando com o projeto de ter ex-atletas comentaristas. Já tinha tido essa experiência, ainda quando nadava, no Pan de 2007. Então, quando me aposentei, comecei a trabalhar no canal em março de 2009 e depois virei produtora dos esportes aquáticos também ate outubro do ano passado. Foi uma experiência incrível onde cresci e aprendi muito lá dentro, acho que consegui colocar o mundo dá água no canal com matérias, levando atletas nos estúdios. Enfim, só queria continuar contribuindo com o esporte que me deu tanta coisa e divulgá-lo ainda mais para o nosso país dando espaço a nossos atletas aquáticos.

- Você imaginava que poderia participar de tantos eventos esportivos importantes (como Olimpíada, Mundiais, Pan-Americanos) como comentarista de um canal tão importante quanto o Sportv?

Sinceramente não! Depois que sai do canal, e fui fazer meu currículo, me dei conta mesmo da quantidade de coberturas que fiz pelo canal. Parece que a gente entra no automático e nem vai se dando conta, mas é realmente maravilhoso saber que continuei participando dos principais eventos internacionais mesmo que de uma outra forma e não mais como atleta. Espero ter correspondido da melhor forma, pois aquele espírito de atleta nunca sai da gente e sempre queremos ser impecáveis e perfeitos em tudo. Tenho orgulho de olhar pra trás e ver tudo com consegui até hoje.

- O que você leva de maior lição dos momentos vividos no Sportv?

Minha vida inteira eu fiz um esporte individual, em que o resultado final só dependia de mim mesma, mesmo tendo tanta gente envolvida por trás. E quando fui trabalhar no Sportv fui percebendo que eu era apenas uma parte do resultado final que iríamos ver no ar e que não dependia só de mim. Foi um processo que tive que ir me acostumando e que tenho certeza que me fez evoluir e saber trabalhar ainda melhor em equipe.

- Em meio a tudo isso, você foi nadadora, é formada em Direito e partiu para a área do jornalismo esportivo. Você acredita que pode continuar inspirando pessoas como você fazia quando nadava?

Espero que sim! É muito gratificante saber que a gente inspira alguém, é referencia para uma pessoa e que por alguma coisa que você fez ou faz é suficiente para te admirarem ou querer ser parecida com você. Mesmo sem saber, porque, para mim, certas coisas são tão naturais e que só estou tentando dar o meu melhor acabo atingindo, de boa forma, alguma pessoa. É sempre muito gostoso receber alguma mensagem de alguém que nem conheço, muitas vezes de tão longe, falando coisas que a gente não consegue ter ideia e dimensão do quanto representa pra essas pessoas. Não tenho intenção de deixar legado algum, mas se souber que fiz diferença na vida de alguém de alguma forma, para mim, já é e sempre será uma grande vitória. Esporte sempre foi a minha vida e espero que continue sendo de alguma forma, porque eu realmente não me vejo longe dele!


Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA)

Fundada como Confederação Brasileira de Natação (CBN), em 21 de outubro de 1977, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos completou 40 anos de fundação, em 2017. Atualmente, o presidente da CBDA é Miguel Cagnoni.

A nomenclatura foi mudada em 1988 para adequação, já que a CBDA administra cinco modalidades: natação, maratona aquática, pólo aquático, saltos ornamentais e nado sincronizado. A CBDA, atualmente, tem todos os 26 estados brasileiros, além do Distrito Federal, como federações filiadas.

Os Correios, patrocinador oficial da entidade, é parceiro da Confederação desde 1991 e é parte de todas as medalhas e formação de novos atletas nas cinco modalidades.


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