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Maratonas Aquáticas

16/07/2017 10:02:34

Marcela leva o bronze e a 11ª medalha mundial para as maratonas do Brasil


Mundial de Budapeste FINA 2017

Foto: CBDA/Divulgação Marcela leva o bronze e a 11ª medalha mundial para as maratonas do Brasil
16/07/2017 10:02:34

Balatonfüred /HUN — A maratona aquática brasileira segue sua trajetória de grande sucesso. Há mais de uma década o esporte está no topo das principais competições do planeta. Na madrugada brasileira deste domingo, 16/07, Ana Marcela Cunha honrou esta tradição ganhando o bronze na prova de 10km feminino empatado com a italiana Arianna Bridi (2h00m17s2). Esta foi a 11ª medalha brasileira de maratonas aquáticas no Mundial dos Esportes Aquáticos da FINA. Em mais uma disputa histórica para as águas abertas, a prata foi para a equatoriana Samantha Arevalo (2h00m17s.0)  - a primeira medalha da história do Equador - e o ouro para a francesa Aurelie Muller (2h00m13,7), que foi desclassificada nos Jogos Olímpicos Rio 2016. Um empate também marcou a estreia de Viviane Junglblut na Hungria. Ela finalizou em 12º junto com outra atleta (ver no final).

— Conquistar esse resultado aqui foi sensacional. Depois do décimo lugar na Olimpíada eu não tive resultados bons, mas isso me deixou até tranquila por não chegar aqui como favorita. Cheguei sendo a Ana Marcela que foi campeã mundial e fez um monte de coisas, mas não como favorita e isso me tirou um peso das costas — declarou Ana Marcela.

Ana teve a preocupação de não se afastar do primeiro pelotão durante toda a primeira metade da prova. Sua pior colocação durante as mais de duas horas de prova foi a 10ª posição na metade da segunda volta. A partir daí Marcela permaneceu no “bolo”  deixando colocações para trás e disputando a cada braçada com Arianna e a quinta colocada, a também italiana Rachele Bruni, prata nos Jogos do Rio de Janeiro. Aurelie fez uma prova quase impecável. Depois da metade da primeira volta, quando terminou em 9º também misturada com as primeiras, ela se manteve sempre em segundo ou primeiro lugar. A segunda prova no Lago Balaton contou com 62 atletas e uma água a 22 graus.

A maratonista brasileira também falou sobre sua cirurgia para retirada do baço e todo o trabalho que precisou ter para voltar ao alto nível. Com problemas nos níveis de plaquetas desde 2014, ela hoje está completamente recuperada e pronta para seguir na carreira vitoriosa.

- Tive que ter muita paciência, nenhum trabalho é feito da noite para o dia, sempre um degrau de cada vez. A cirurgia ficou no passado, estou 110% com a saúde. Da Olimpíada até hoje foi quase ano. Passei por uma cirurgia e estar voltando, ouvir um monte de coisas, acharam que estava derrotada, e ter um resultado deste, para mim é muito bom. Quero agradecer a todo mundo, meus patrocinadores, meu clube, que confiou em mim depois da Olimpíada, continuou comigo mesmo com troca de técnico. Essa confiança da Unisanta não tem preço – disse.

Ana Marcela voltou recentemente a treinar com Fernando Possenti, seu técnico no Mundial de Barcelona 2013.

— Voltamos a trabalhar tem pouco tempo, mas nos conhecemos muito bem. Ela estava muito concentrada para essa prova e depois do resultado de Setúbal, etapa da Copa do Mundo, ela se motivou ainda mais. Mesmo com o quinto lugar, na análise do vídeo ela viu que conseguiu tirar quase cinco segundos do primeiro pelotão e sentiu que estava de novo na briga – revelou Possenti.

A América do Sul com peso nas maratonas aquáticas — A equatoriana Samantha, de 23 anos, foi a grande surpresa da prova. Ela começou em 46º lugar, passou a 48º e foi descendo drasticamente no meio da multidão de braçadas até entrar no primeiro grupo e despontar para a segunda colocação. Samantha treina na Itália, com o mesmo técnico de Amanda Bardi e Rachele Bruni, Fabrizio Antonelli.  Ela está desde dezembro morando em Roma.

— Eu trabalhei muito duro para esta competição. É o meu segundo Mundial e a primeira vez na Hungria. Estou muito feliz e surpresa com este segundo lugar. Deus me ajudou a conquista-lo! Também agradeço aos meus dois irmãos que são triatletas e me ajudaram muito — contou.

A francesa Aurelie disse não ter sentido a pressão por ter sido campeã há dois anos. Segundo ela, sua preocupação foi apenas em se concentrar em sua prova, em seu nado. Ela ficou de fora do pódio olímpico no Rio de Janeiro, quando na chegada apoiou-se na segunda colocada para bater na frente no pórtico de chegada. A brasileira Poliana Okimoto, que vinha logo em seguida na quarta posição ficou com a medalha de bronze, a primeira medalha feminina olímpica dos esportes aquáticos do Brasil. Nenhuma das atletas que foram medalhistas no Rio subiram ao pódio em Budapeste. Poliana não está na competição, a holandesa Sharon van Rouwendaal terminou na 16ª posição e Racheli Bruni terminou em quinto lugar.

Estreando no Campeonato Mundial, Viviane Junglut, de 21 anos, conseguiu acompanhar o pelotão nas duas primeiras voltas, mas na metade do percurso ficou presa no segundo pelotão e após 2h01m06s10 conquistou um expressivo 12º lugar.

- Estou bem feliz e cheguei com a certeza que fiz o meu melhor. Foi minha primeira prova neste nível e acabei me desgastando um pouco mais na primeira e segunda volta, no final faltou um pouco na última e acabei perdendo o pelotão. Saber me posicionar, guardando energia, foi a minha maior dificuldade. Estava um pouco ansiosa, tentei ficar na frente e acabei me desgastando. Fica o aprendizado, sei que tenho muito caminho pela frente, e agora estou com mais motivação para continuar competindo em alto nível – analisou Viviane Jungblut.

O Brasil terá representante em todas as provas de Maratonas no Mundial. Nesta terça será a vez de Allan do Carmo e Fernando Ponte nos 10km masculino.

Os Esportes Aquáticos do Brasil contam com recursos dos Correios - Patrocinador Oficial dos Desportos Aquáticos Brasileiros -, Lei Agnelo/Piva - Governo Federal - Ministério do Esporte, COB e Estácio.

Seleção Brasileira
Allan do Carmo, Fernando Ponte, Victor Colonese, Ana Marcela Cunha, Betina Lorscheitter e Viviane Jungblut
Técnicos: Fernando Possenti, Carlos Arapiraca e Christiano Klaser
Médico: Dr. Jose Juan Blanco
Fisioterapeuta: Alexander Rehder
Chefe de Equipe: Ricardo Prado

17º Mundial dos Esportes Aquáticos de Budapeste - Maratonas Aquáticas - Resultados

10km feminino
3º Ana Marcela Cunha
12º Viviane Jungblut

5km Masculino
5º Fernando Ponte
40º Victor Colonese

Programação

Terça-feira - 18/7

10 km Masculino - Allan do Carmo e Fernando Ponte

Quarta-feira - 19/7
5 km Feminino - Ana Marcela e Betina Lorscheitter

Quinta-feira - 20/7
Prova por equipe - Revezamento - 5km - Brasil

Sexta-feira - 21/7
25 km - Masculino e Feminino - Brasil

Histórico de medalhas do Brasil no Mundial de Esportes Aquáticos

Roma 2009 – Bronze – 5 km feminino – Poliana Okimoto

Xangai 2011 – Ouro – 25km feminino – Ana Marcela Cunha

Barcelona 2013 – Ouro – Poliana Okimoto – 10km

Barcelona 2013 – Prata - Poliana Okimoto – 5km

Barcelona 2013 – Prata – Ana Marcela Cunha – 10 km

Barcelona 2013 – Bronze – Ana Marcela – 5km

Barcelona 2013 – Bronze – Allan do Carmo, Poliana Okimoto, Samuel de Bona – Prova de Equipe 5km

Kazan 2015 - Bronze - Ana Marcela Cunha - 10 km

Kazan 2015 – Prata – Allan do Carmo, Ana Marcela Cunha, Diogo Villarinho – Prova de Equipe 5km

Kazan 2015 - Ouro - Ana Marcela Cunha - 25km

Balatonfüred 2017 -  Bronze – Ana Marcela Cunha – 10 km



Eliana Alves / Souza Santos / Mariana de Sá