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Natação

19/12/2010 00:00:00

Brasil voa como águia em Dubai


Dubai/EAU – A equipe brasileira voou no Mundial em Piscina Curta de Dubai, que terminou neste domingo, 19/12. A bagagem (...)

Dubai/EAU – A equipe brasileira voou no Mundial em Piscina Curta de Dubai, que terminou neste domingo, 19/12. A bagagem sai recheada dos Emirados Árabes com oito medalhas (três de ouros, uma de prata e quatro de bronze), 12 recordes brasileiros e sul-americanos superados e um igualado, cinco de campeonato e dois das Américas, 18 finais e quatro semifinais (não estando sendo contadas as semis que viraram finais). Esta é a melhor campanha do Brasil nos Mundiais de 25 metros, superando a 2ª edição, na praia de Copacabana, quando o Brasil subiu ao pódio em seis oportunidades (3 ouros, 2 prata e 1 bronze).

O encerramento da competição foi o dia mais dourado do time brasileiro com o ouro e os recordes de campeonato de Cesar Cielo e Felipe França Silva (o tempo de Cesão também foi recorde sul-americano), a prata de Kaio Márcio Almeida e o bronze do 4x100m medley de Guilherme Guido, França, Kaio Márcio e Cesão, que também foi recorde sul-americano. De quebra, Lucas Kanieski superou a marca continental dos 1500m livre, ao chegar em 8º, 14m45s51.

Agora é oficial. Cesar Cielo é o mais veloz do mundo dentro d’água, rei dos 50m e 100m livre em todas as distâncias e nos principais eventos...e se transformou na dor de cabeça francesa. Na final deste domingo (19/12) dos 100m livre, Fabien Gilot (prata, 45s97) bem que tentou e cresceu bastante no final, mas todos os velocistas estavam destinados aos degraus de outras cores em Dubai. O ouro era de Cielo, com 45s74.

Mas o brasileiro que sempre se emociona quando ouve o hino nacional, não cai na armadilha fácil de se achar imbatível.

- Está doendo! Fui bem além do meu limite, mas valeu à pena. Nos próximos anos tenho que treinar e treinar cada vez mais duro porque é difícil chegar no topo, chegar onde cheguei, mas se manter lá é mais difícil ainda. Ainda não decidi sobre a rotina de treinamentos até o Mundial de Xangai, mas o que sei é que tenho que me dedicar muito – disse.

Nem o campeão olímpico Alain Bernard (4º em Dubai, 46s37), nem o americano Natham Adrian (6º, 46s44), campeão deste ano no Pan-Pacífico. O esporte mais uma vez mostrou que não aceita tantas previsões e o bronze ficou com o russo Nikita Lobintsev, de 22 anos, que saiu da raia um para o pódio, 46s35.

O revezamento 4x100m medley finalizou com bronze que valeu ouro, pois nenhuma equipe nadou com três medalhistas que tinham acabado de sair da piscina e do pódio. Cielo, aliviado por começar as férias com tantos títulos para comemorar, sentia dores na perna e, brincando com as dores que estava sentindo, pediu para dizer a sua mãe que a ama muito, caso não sobrevivesse.

Guilherme Guido elogiou o grupo brasileiro.

- Estamos de parabéns porque mostramos que somos um time entre os melhores do mundo. Estamos na briga junto com todos os principais e esse grupo já mudou completamente a cara da natação brasileira. Estamos felizes e empolgados para continuar trabalhando para merecer resultados ainda melhores – disse.

Se a equipe brasileira voou em Dubai, Felipe França Silva planou feito águia. Esta imagem, que o atleta sempre gosta de fazer e que está tatuada em sua perna direita, é alusiva a uma canção religiosa, sua preferida, mas ele realmente fez, como se diz, “um tempaço”. Ele marcou 25s95 e superou o recorde de campeonato que o sul-africano Cameron Van der Burgh fez nas eliminatórias. Cameron, recordista mundial da distãncia e campeão dos 100m do estilo em Dubai, ficou com a prata (---). O bronze foi para o norueguês Alesander Hetland (26s29).

- Hoje eu estava com febre antes da prova. Não estava me sentindo tão bem e consegui. O primeiro a fazer 25 segundos nadando de bermuda. Sempre agradeço a Deus porque acho que é a Ele que devo tudo, principalmente esta vitória – disse Felipe.

Kaio Márcio Almeida entrou na final com o quarto tempo, deu a impressão que no quarto lugar ficaria quando começou a crescer para arrancar a prata em final emocionante na prova de 200m borboleta (1m51s61). O ouro foi para o jovem sul-africano Bertrand Le Clos, de 18 anos, pela marca de 1m51s56. O húngaro Laszlo Cseh, que chegou com o primeiro tempo nas finais, ficou com o bronze (1m51s67).

- Eu dei um susto? Estava tão atrás assim? – brincou Kaio – o importante foi que subi no pódio. Acho que podia ter ganho a prova, mas fico feliz em ter conseguido a segunda medalha – completou.

Fabíola Molina e sua perseverança, que garantem uma impressionante longevidade na natação, deram mais uma final para o país. Ela nadou na raia oito da final dos 50m costas, fez 27s67, e não fosse um escorregão na largada, estava pronta para fazer seu melhor tempo ou perto dele, 26s61, recorde sul-americano.

- É muito difícil entrar numa final. A gente vê aqui quanta gente sai chorando, quanta gente boa fica de fora. Eu entrei e fico chateada porque escorreguei. É dífícil, então temos que aproveitar ao máximo. Estava mesmo preparada pra fazer 26s, mas o Mundial foi bom pra mim. Mostrou que estou no “bolo”, que estou junto das melhores – disse.

Ainda não foi desta vez que Henrique Rodrigues conseguiu o pódio. Ele entrou em duas finais em Dubai, 200m e 100m medley. Nesta última terminou com o oitavo tempo, 53s69.  Apesar de estar perseguindo a medalha, como todo atleta de alto nível, o nadador de 19 anos disse que foi proveitosa a participação em seu primeiro Mundial em Piscina Curta, principalmente pelo quarto lugar nos 200m medley.

A seleção brasileira de natação participa do Mundial de Dubai com recursos dos Correios, Bradesco/Lei de Incentivos Fiscais, Lei Agnelo/Piva, Gol Linhas Aéreas Inteligentes e Speedo.

Resultados finais – 5ª etapa – 19/12/2010 100m livre M = 1) Cesar Cielo – Brasil – 45s74 (RS) e (RC) / 2) Fabien Gilot - França – 45s97 / 3) Nikita Lobintsev - Rússia - 46s35 50m costas F = 1) Zhao Jing – China – 26s27 (RC) / 2) Rachel Goh – Austrália – 26s54 / 3) Mercedes Peris – Espanha – 26s80 / 8 ) Fabíola Molina – Brasil - 27s67200m costas M = 1) Ryan Lochte – EUA – 1m46s68 (RC) / 2) Tyler Clary – EUA – 1m49s09 / 3) Markus Rogan – Áustria - 1m49s96200m peito F = 1) Rebecca Soni – EUA – 2m16s39 (RC) / 2) Ye Sun - China - 2m18s09 / 3) Rikke Pedersen - Dinamarca - 2m18s82 100m medley M = 1) Ryan Lochte – EUA - 50s86 / 2) Markus Deibler - Alemanha - 51s69  /  3) Sergey Fesikov - Rússia - 51s81 / 8 ) Henrique Rodrigues – Brasil - 53s69  100m borboleta F = 1) Felicity Galvez - Austrália – 55s43 (RC) / 2) Therese Alshammar - Suécia - 55s73 /  3) Dana Vollmer - EUA - 56s25 50m peito M = 1) Felipe França – Brasil – 25s95 (RC) / 2) Cameron Van der Burgh - África do Sul - 26s03 / 3) Aleksander Hetland - Noruega - 26s2950m livre F = 1) Ranomi Kromowidjojo – Holanda – 23s37 / 2) Hinkelien Schreuder - Holanda – 23s81 /  3) Arianna Vanderpool-Wallace - Bahamas - 24s04 200m borboleta M = 1) Chad Le Clos – África do Sul - 1m51s56 /  2) Kaio Márcio Almeida – Brasil - 1m51s61 / 3) Laszlo Cseh – Hungria - 1m51s671500m livre M = 1) Ousamma Mellouli – Tunísia – 14m24s16 / 2) Mads Glaesner -  Dinamarca – 14m29s52 / 3) Gergely Gyurta – Hungria - 14m31s47 / 8 ) Lucas Kanieski – Brasil – 14m45s51 (RS)200m livre F = 1) Camille Muffat – França –  1m52s29 (RC) / 2) Kathryn Hoff – EUA - 1m52s91 / 3) Kylie Palmer - Austrália - 1m52s964x100m medley M = 1) EUA - 3m20s99 /  2) Rússia – 3m21s61 / 3) Brasil (4º Guilherme Guido, 50s69 / 4º Felipe França, 57s21 / 3º Kaio Márcio, 50s09  / 3º Cesar Cielo, 45s13) - 3m23s12 (RS)

RM – Recorde Mundial / RS – Recorde Sul-Americano / RC – Recorde de campeonato