Notícias

Cesar impera nos 100m livre

30/07/2009

Roma – A Roma dos césares se curvou nesta quinta-feira, 30/07, ao novo “imperador brasileiro das piscinas”. Cesar Cielo Filho quebrou o recorde mundial dos 100m livre, com 46s91, no 13º Mundial de Esportes Aquáticos e conquistou o segundo ouro do Brasil na história dos Mundiais. O primeiro foi com Ricardo Prado nos 400m medley no Mundial de 1982, em Guayaquil, no Equador. A prova levantou as arquibancadas e, como sempre, emocionou. Cielo vibrou muito e lembrou que ainda tem os 50m livre, prova em que é o atual campeão olímpico.
Foto:
- O primeiro recorde mundial a gente nunca esquece!  – disse o atleta nascido em Santa Bárbara D´Oeste logo na saída da piscina. O antigo recorde mundial era de 47s05 e o sul-americano, 47s09. 

Na final, Cielo bateu o francês Alain Bernard, campeão da prova nos Jogos de Pequim, e que chegou em segundo, com 47s12. Em terceiro, outro francês, o recordista mundial dos 50m livre, Frederick Bousquet, com 47s25. O recorde dos 100m livre pertencia ao australiano Eamon Sullivan, com 47s05 de 2008. O brasileiro Nicolas Oliveira terminou em oitavo, com 48s01.

No Brasil várias pessoas já sabiam, mas César Cielo, 22 anos, começou a mostrar ao mundo que seria um grande nadador em 2007, quando por quatro centésimos ficou de fora do pódio dos 100m livre no Mundial dos Esportes Aquáticos de Melbourne 2007. Nos Jogos Pan-Americanos do mesmo ano, o nadador paulista venceu os 50m, 100m e 4x100m livre e 4x100m medley, apontando para a grande performance dos Jogos Olímpicos Pequim 2008, com uma medalha de ouro, uma de bronze e três recordes da competição batidos.

Sempre bem-humorado, Cielo diz o que mudou desde os Jogos Olímpicos até a medalha de ouro no Mundial.

- Estou muito mais bonito, mais forte e mais maduro que antes – brincou. Primeiro recorde mundial veio na hora certa. Estou super contente e me sentindo leve. É um alívio enorme. Agora é ficar pronto para os cinquentinha (50m livre). Esse Mundial terminando agora já estaria incrível para o Brasil, mais ainda tem mais por vir – disse. As eliminatórias e semifinais dos 50m livre são nesta 6ª feira (31/7), e as finais no sábado (01/8), a partir das 13h, de Brasília.

A escalada de Cielo rumo ao ouro e ao recorde mundial foi planejada passo-a-passo por ele e pelo técnico Brett Hawke. Os tempos das eliminatórias (47s98) e das semifinais (47s48) nem de longe davam pista do recorde que ele bateria na decisão, mas o recorde de campeonato feito na abertura do 4x100m livre no primeiro dia, 47s09, já apontava em que direção ele caminhava.

- Foi um trabalho muito duro. Não é fácil ficar isolado nos Estados Unidos (na cidade de Auburn, Texas) e se pudesse dividiria essa medalha em um milhão de pedaços, pois tem muita gente envolvida e muita gente contribuiu para esse resultado. É um sonho realizado. Estou muito feliz e dolorido também! O trabalho foi muito bem feito e quero agradecer à CBDA, aos meus patrocinadores como o Correios, que são quase que a minha casa, estou lá desde os 15 anos; e ainda ao meu clube, o Pinheiros – falou.

Antes, nos 200m medley, Thiago Pereira bateu na trave ao ficar em 4º lugar, com 1m55s55, novo recorde sul-americano. O pódio foi formado por Ryan Lochte, dos EUA, 1m54s10, novo recorde mundial; Laszlo Cseh, da Hungria, prata com 1m55s24; e o americano Eric Shanteau, bronze com 1m55s36. O recorde pertencia a Michael Phelps (1m54s23), que aplaudiu seu compatriota da arquibancada.

- Fico triste por perder a medalha, mas ao mesmo tempo sei que este início de novo ciclo olímpico é melhor do que o anterior. Tem três anos pela frente até Londres – disse Thiago.

Apesar de ainda jovem, 23 anos, Thiago tem um longo e vitorioso currículo. Seus primeiros resultados internacionais de peso foram as duas medalhas nos Jogos Pan-americanos de 2003 (uma prata e um bronze). A partir daí ele não parou mais de obter bons resultados. No Mundial em Piscina Curta de Indianápolis/EUA, em 2004, Thiago foi várias vezes ao pódio (1 ouro, 1 prata e 2 bronzes). Mas o auge foram os oito pódios dos Jogos Pan-Americanos Rio 2007 (6 ouro, 1 prata e um bronze).

Uma fratura na mão lhe tirou um mês de treinamento em março deste ano e ameaçou a preparação para Roma, mas a vontade de voltar a progredir e diminuir seus tempos foi maior e ele conseguiu finalizar os treinamentos.

- O treinamento em altitude em Sierra Nevada (em junho deste ano) foi muito bom para mim. Lá eu consegui treinar muito bem e recuperar muito do tempo perdido.

Nicolas Oliveira, de 22 anos, superou muitos obstáculos até chegar a Roma. A própria entrada na competição foi dramática, pois no dia da seletiva (em maio, no Troféu Maria Lenk) seu pai, Sílvio César, estava internado no CTI com aneurisma na aorta. Apesar do drama familiar ele nadou os 200m livre e superou em quase um segundo o recorde sul-americano da prova. Na ocasião ele revelou que, assim como várias pessoas da sua família, sofre de hipertensão e que controla o mal com remédio e disciplina na alimentação. Nicolas foi finalista no 4x100m livre no Mundial de Melbourne (8º) e medalha de ouro na mesma prova e no 4x200m livre do Pan Rio 2007.

Fabíola Molina tem 34 anos e parece que está cada vez melhor. Há uma década ela domina o nado de costas no Brasil e tem cinco medalhas (1 prata e 2 bronzes) no currículo em três Jogos Pan-Americanos – Mar Del Plata 95, Winnipeg 99 e Rio 2007. Ela foi a única representante brasileira nos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000.

Já Henrique Barbosa se classificou com o 7º tempo, 2m08s56, nos 200m peito para a final de amanhã (sex).

Medalhas do Brasil em Mundiais dos Esportes Aquáticos (piscina longa)
Berlim 1978 – Rômulo Arantes Jr – Bronze – 100m costas
Guayaquil 1982 – Ricardo Prado – Ouro – 400m medley
Roma 1994 – Gustavo Borges – Bronze – 100m livre
Roma 1994 – Fernando Scherer, André Teixeira, Teófilo Ferreira e Gustavo Borges – Bronze – 4x100m livre
Roma 2009 – Poliana Okimoto – Bronze – 5km (maratonas aquáticas)
Roma 2009 – Felipe França – Prata – 50m peito
Roma 2009 – César Cielo – Ouro – 100m livre

Recordistas Mundiais Brasileiros
1936 – Maria Lenk – 400m peito/borboleta (prova que não existe mais) – piscina longa
1936 – Maria Lenk – 200m peito – piscina longa
1961 – Manoel dos Santos – 100m livre – piscina longa
1968 – Silvio Fiolo – 100m peito – piscina longa
1982 – Ricardo Prado – 400m medley – piscina longa
1993 – Gustavo Borges – 100m livre – piscina curta
1993 – Gustavo Borges, Fernando Scherer, Teófilo Ferreira e José Carlos Júnior – 4x100m livre – duas vezes – piscina curta
1998 – Gustavo Borges, Fernando Scherer, Carlos Jayme e Alexandre Massura – 4x100m livre – piscina curta
2005 – Kaio Márcio Almeida – 50m borboleta  – piscina curta
2007 – Thiago Pereira – 200m medley – piscina curta
2009 – Felipe França Silva – 50m peito – piscina longa
2009 – César Cielo – 100m livre – piscina longa

O Brasil participa do Mundial de Roma com o patrocínio dos Correios e recursos da Lei Agnelo/Piva.

Eliana Alves / Souza Santos

Compartilhar:

Patrocinadores