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Fischer chega ao pódio na Rússia depois de quatro recordes continentais

07/04/2002


4x100m medley bate recorde sul-americano


Moscou

– Eduardo Fischer vibrou como nunca ao ganhar a medalha de bronze nos 50m peito, com 27s26. E não é para menos. A campanha do nadador brasileiro no 6o Mundial em Piscina Curta, que terminou neste domingo, 07/04, na capital da Rússia, foi excepcional. O pódio veio depois de quatro recordes sul-americanos individuais (duas vezes nos 100m e 50m peito) e um sexto lugar nos 100m do mesmo estilo. Fischer ainda estava na equipe que melhorou a marca do continente nos 4x100m medley, última prova do programa.

O campeão da prova foi o ucraniano Oleg Lisogor, que também é o recordista mundial da distância. Ele estabeleceu novo recorde de campeonato no domingo ao marcar 26s42. Em segundo lugar ficou o português José Couto, com 27s22.


- Não tenho palavras para explicar o que estou sentindo. É a minha primeira medalha em campeonato mundial e me sinto realizado. Estava me sentindo muito bem desde a semifinal e entrei na final preparado para fazer 27s01, mas errei na virada. Mesmo assim a alegria é grande e acho que não só para mim, mas para todos os nadadores do país e pessoas que querem ver o esporte crescer. Acho que a natação tem seus ídolos e que ninguém vai tirar o lugar que eles já conquistaram, mas acredito também que para a natação brasileira é vital que apareça mais gente conquistando medalhas e chegando entre os melhores do mundo – disse.


Fischer, de 22 anos, vem crescendo em ritmo acelerado há quatro meses. Ele quebrou a barreira do minuto nos 100m peito em janeiro, na etapa da Copa do Mundo, em Paris, e desde então sua escalada é constante. Segundo o técnico do atleta, Ricardo Carvalho, 2002 e 2003 podem colocar Eduardo Fischer no seleto grupo dos melhores do planeta no estilo peito.

- A grande surpresa e o marco da evolução dele foi a quebra do minuto nos 100m peito, em Paris. Acredito que ele ficou mais confiante e só fez dar bons resultados. No Sul-Americano Absoluto, que foi em piscina longa, o Fischer foi muito bem, bateu vários recordes sul-americanos e já anunciava que estaria em boa forma no Mundial. Agora vamos trabalhar a piscina longa. Nossa expectativa é que ele faça o índice para os Jogos Pan-Americanos, 1m02s11, já no Troféu Brasil de Natação, em setembro, e que consiga baixar a barreira do 1m02s ainda este ano, chegando perto do índice olímpico. Quando ele conseguir isso, aí estará entre os melhores também em piscina de 50 metros – explicou.


O revezamento 4x100m medley masculino bateu o recorde sul-americano com quase um segundo de diferença. A equipe formada por Cleber Costa, Eduardo Fischer, Fernando Alves e Gustavo Borges, cravou 3m35s59. A marca antiga, do time do Flamengo em 1991, era 3m36s58, também com a presença de Fernando Alves e Cleber Costa. O quarteto terminou na sétima posição na prova vencida pelos Estados Unidos, com novo recorde mundial (3m29s00), seguidos pela Austrália (3m29s35) e Rússia (3m30s21).



Arrancada para Atenas 2004

– Segundo o presidente da CBDA, Coaracy Nunes Filho, o Mundial de Moscou foi a arrancada para os Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, e uma mostra que a equipe olímpica e o time que participará dos Jogos Pan-Americanos, na República Dominicana, em 2003, serão mais fortes que as seleções passadas.

- Temos uma geração nova que está crescendo e que estará muitíssimo bem nos Jogos Pan-Americanos de San Domingo, em 2003. Podemos esperar mais medalhas do que as conquistadas em Winnipeg, em 1999 (15). E nos Jogos Olímpicos, em 2004, nosso time também vai mais forte, com novos candidatos ao pódio. O resultado de Eduardo Fischer me mostrou que está nascendo um novo ídolo para a natação brasileira.


No final do 6o Mundial em Piscina Curta, a equipe brasileira conseguiu duas medalhas, oito finais, quatro semifinais e mais seis atletas entre os 16 primeiros. Foram batidos sete recordes sul-americanos por brasileiros e mais cinco – três pelo argentino José Meolans – 50m e 100m livre (este último, duas vezes) – , um pelo venezuelano Ricardo Monastérios, 6º colocado nos 1500m livre, e por fim, outro pela uruguaia Serrana Fernandes, nos 50m costas. (ver lista completa no final da matéria)


Na final dos 100m livre, o argentino José Meolans bateu outra vez o recorde sul-americano, com 47s09, mas ficou com a medalha de prata. O australiano Ashley Callus venceu a disputa nos últimos metros e terminou com 46s99. O argelino Salim Iles ficou com o bronze, com 47s66. Gustavo Borges terminou na sétima posição, com 48s20.


A competição teve 92 países participantes e 599 atletas, que superaram sete recordes mundiais e 21 de campeonato. Em Moscou, a Federação Internacional de Natação/FINA se tornou a primeira no mundo a aprovar a obrigatoriedade dos testes de urina e sangue para detectar doping por EPO e substâncias semelhantes.


- Neste Mundial fizemos mais de 120 testes em atletas que se destacaram e em provas onde os efeitos destas substâncias são mais evidentes. Estamos muito felizes com a receptividade da medida e com a aceitação entre maioria dos atletas – disse o Diretor Executivo da FINA, Cornel Marculescu.

Eliana Alves / Souza Santos

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