Notícias

Monique, Mariana, Carol e Paulinha classificam 4x200m nas Olimpíadas

24/07/2003


foto_revezamentofeminino.jpg

Thiago Pereira, mais um jovem recordista


Barcelona – A emoção tomou conta dos brasileiros que assistiram as eliminatórias da natação no Mundial dos Esportes Aquáticos, nesta quinta-feira, 24/07. Desta vez, o número 13 que perseguiu a delegação em Barcelona, só trouxe sorte. O revezamento 4x200m livre feminino formado por Monique Ferreira, Mariana Brochado, Ana Carolina Muniz e Paula Baracho Ribeiro conseguiu classificação para as Olimpíadas de Atenas, após cravar 8m13s13, superar em muito o recorde sul-americano de 8m15s80 feito ano passado no Pan-Pacífico de Yokohama, e terminar na 12a colocação. Pela nova regra da Federação Internacional de Natação – FINA, os 12 primeiros revezamentos femininos e masculinos do Mundial de Barcelona já estão com vaga garantida nos Jogos Olímpicos.


O Brasil competiu na mesma série que Estados Unidos, Espanha, Grã Bretanha, Holanda e Hong Kong. No total, foram 18 equipes femininas que disputaram o 4x200m livre. Monique Ferreira abriu a prova, colocou um ritmo forte e entregou para Mariana Brochado em quarto lugar. Mariana manteve o ritmo e tirou um pouco a diferença para a Espanha, terceira colocada na série. Ana Carolina Muniz foi a terceira a cair e Paula Baracho encerrou a prova.


Após a espera ansiosa na cabeceira na piscina para que o tempo e a colocação final aparecessem no placar do Palau Sant Jordi, as quatro brasileiras choraram abraçadas, enquanto os demais nadadores e técnicos brasileiros nas arquibancadas comemoravam. Mariana Brochado, que também foi semifinalista e recordista sul-americana nos 200m livre em Barcelona, era a mais emocionada das quatro atletas e diz estar realizando um sonho.


- Foram segundos que pareciam séculos a esperar pela colocação. Olhei para as arquibancadas e vi o pessoal vibrando. Comecei a chorar na hora e só vi o número 12 já embaçado pelas lágrimas. Este foi o meu primeiro Campeonato Mundial e nunca mais vou esquecê-lo, está sendo incrível. Não esperava nenhum destes resultados. Nesta hora sinto que valeu à pena todo o esforço, os 21 dias de reclusão no treinamento de altitude no México, só fazendo o trajeto entre a piscina e o hotel, enfim, é um filme que passa na cabeça. Acho que a “ficha ainda não caiu”. Estou realizando um sonho – disse.


Monique Ferreira, que se sentindo ainda pesada devido aos treinamentos visando os Jogos Pan-Americanos, não conseguiu seus melhores resultados em provas individuais, mas disse ter se superado no revezamento.


- Não estou no melhor da minha forma, mas todas nós sabíamos que para conseguir se classificar para a Olimpíada era preciso que cada uma desse o seu melhor tempo ou muito próximo dele. Ir para as Olimpíadas é o sonho da minha vida. Ainda não estou lá, pois a prova está classificada, mas as atletas que formarão a equipe sairão das seletivas. Mas já andei metade do caminho. Esta não era a única, mas a melhor chance de conseguir a vaga e soubemos aproveitá-la  – afirmou.


Ana Carolina Muniz, voltando de uma contusão também falou em superação.
 - Voltei a treinar apenas há duas semanas e meia. Tive uma inflamação no ombro direito. Não chegou a ser uma tendinite, mas foi suficiente para atrapalhar bastante. Estou até um pouco anestesiada. A Mariana está certa, a “ficha ainda não caiu” – brincou.


Paula Baracho, que encerrou a prova, também comemorou a classificação para Atenas.
 - Foi a primeira vez que fechei um revezamento e tentei fazer o melhor possível. Estou muito feliz porque este foi o resultado do esforço das quatro, que se superaram com garra – disse. 


O resultado do revezamento 4x200m livre feminino veio uma prova após Thiago Pereira, de 17 anos, bater o recorde sul-americano dos 200m medley, com 2m02s67, e por muito pouco não ficar entre os 16 semifinalistas. Ele terminou em 18o lugar e ficou a 13 centésimos do índice para os Jogos Olímpicos, 2m02s54. Thiaguinho, mais um dos jovens talentos da natação brasileira a brilhar em Barcelona, bateu o recorde que pertencia a Diogo Yabe, 2m03s98. No Troféu Brasil-Correios, em maio deste ano, Diogo superara o recorde do continente da prova que era de Ricardo Prado há 20 anos.


- O treinamento em altitude ajudou muito. Estava esperando baixar o tempo apenas para 2m03s! Quando entrei na prova, achei que não estava bem, não conseguia ver se estava no “bolo”, se estava muito atrás, nada. Só via espuma! Aí pensei que ia terminar com um tempo muito mais alto do que imaginava, na casa dos 2m04. Tratei de acelerar! – brincou.

Eliana Alves

Compartilhar:

Patrocinadores